18 junho 2016

WMB virou Degrau de Letras


Olá, leitores!

Hoje passei aqui para avisar que o blog Word in My Bag virou o Degrau de Letras.

Há um tempo sinto a necessidade de mudanças no blog, tanto evoluir um pouco em conteúdo como na estrutura. O nome do blog também passou a me incomodar um pouco e notei que algumas pessoas tinham dificuldade de assimilar por ser em inglês e tal.

O Degrau de Letras tem quase a mesma proposta do WMB, continuo falando de livros. Bem, é melhor vocês tirarem suas próprias conclusões, clique aqui para ser redirecionado a nova página do blog.

30 maio 2016

Anexos, de Rainbow Rowell

Assim que pegamos um chick lit para ler logo imaginamos como protagonista a típica mulher balzaquiana, com mais de trinta anos e solteira, vivendo sua vida O.K e tentando “desencalhar”.
Sempre li e ouvi ótimos comentários sobre todos os livros da autora e eles só aumentavam cada vez mais a minha vontade de ler algo da Rainbow.  Anexos, o primeiro que li da autora, surpreende logo no comecinho, quando nos deparamos com um protagonista do sexo masculino que trabalha no setor de segurança informacional de um renomado jornal.
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Anexos, de Rainbow Rowell. Novo Século.
O trabalho de Lincoln não é nada excitante, apenas ler os e-mails marcados como suspeito por um programa que os selecionada mediante um algoritmo qualquer. Esse emprego tira um pouco o sono de Lincoln porque ele sente como se esse não fosse um emprego de verdade, ganhar muito apenas para ler e-mails.

Sem ainda ter superado seu primeiro e único relacionamento, da época da escola, o protagonista se vê numa situação embaraçosa, ele se apaixona por uma das funcionárias do jornal só por ler os e-mails pessoais trocados com sua melhor amiga.
Aqueles dilemas da vida cotidiana presentes nos livros desse gênero permanecem em Anexos, mas alguns desses tópicos são vistos sob a perspectiva de Lincoln, o que achei bem diferente, pois já estava acostumada a ler as preocupações cotidianas por meio da ótica feminina.
Esse é o típico livro que gosto de ler durante aquelas ressacas literárias por causa da leitura simples e rápida, um incentivo quando não estamos muito no pique.  A fluidez da escrita da autora me lembrou da forma como a Marian Keyes constrói seus personagens e enredos.
Anexos traz reflexões simplórias e pertinentes, como: relacionamentos fadados ao fracasso que recebem inúmeras chances, mas que no fundo ambos sabem que aquilo não funcionará mais; amizades verdadeiras que não apenas dão suporte nas horas difíceis, mas também dá puxões de orelha quando necessário; a vida é feita de ciclos e por mais que estejamos naquela inércia sempre aparece algo novo, casualmente, para nos despertar, é só olhar com atenção.

29 maio 2016

Senhores dos Sonhos, de Raquel Pagno

Senhores dos Sonhos - Existe um universo paralelo dentro dos sonhos.
Existem seres capazes de invadir mentes, criaturas mitológicas, perdidas no esquecimento.
Lorena pensava estar enlouquecendo. Todas as noites seu arqui-inimigo Hank Hirano invadia seus sonhos para assombrá-la. Não bastasse ter que suportá-lo nas aulas de Educação Física, o professor ainda o transformara em seu parceiro nas aulas de Biologia, durante todo o trimestre.
Ela não suportaria sua presença, não fosse pelo fato de Hank haver confessado ter sonhos idênticos aos seus. A curiosidade de Lorena, aliada às ótimas notas de Hank em Biologia, eram motivos suficientes para aturá-lo algumas horas por dia.
A procura por respostas levará Lorena a um universo totalmente desconhecido, onde humanos e Kitsunes, as famosas raposas de nove caudas, são ao mesmo tempo aliados, ao criar a perigosa organização dos Senhores dos Sonhos, e inimigos mortais.

 Lorena é uma estudante do Ensino Médio e atualmente não há nada que a perturbe mais do que seus estranhos sonhos com Hank, um garoto da escola. Até aí Lorena considerava que isso fosse normal, mas o tal garoto revelou para ela que tinha os mesmos sonhos. Coincidência?  

Raquel Pagno mais uma vez mostrou que percorre caminhos bem diversificados sem perder a classe. Apesar de inicialmente não ter gostado muito dos personagens, a maneira como a autora conduziu a narrativa conseguiu prender minha atenção, mas achei que no finalzinho o desenrolar ficou um pouco perdido.

Depois que adentramos nos mistérios oníricos, a estória flui mais rapidamente. Sonhos, segredos, dúvidas, suspenses e os Kitsunes, esses são os ingredientes de Senhores dos Sonhos. Um ponto bacana na estória é poder conhecer um pouco mais a lenda dessas raposas de 9 caudas, que não é comum de se ouvir falar por aqui. 

 Então, quem gosta de fantasia e está afim de uma leitura rápida, fica a indicação de Senhores dos Sonhos. 

27 maio 2016

Fortaleza Digital, de Dan Brown

Este é o segundo livro que leio do Dan Brown e já senti aquela sensação de “mais do mesmo”.  Uma investigação que dura 24 horas, capítulos curtos, suspense, decifração de códigos e uma corrida contra o tempo com várias vidas em risco. Até parece uma receita de bolo, não?
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3 estrelas no Skoob
Eu poderia ter dado quatro estrelas para ele no Skoob, mas apenas um ponto nesse livro me prendeu até quase o fim: o mistério sobre NDAKOTA, quando isso foi revelado, só terminei a leitura porque já estava mesmo perto do final.
Em boa parte do livro temos uma corrida contra o tempo para encontrar um anel que guarda a chave para desencriptar o Fortaleza Digital, concomitante a pesquisa para descobrir quem é NDAKOTA. Ao finalzinho Dan Brown arregaça as mangas para fazer seu show de revelar as coisas obvias que ninguém vê sobre o tal código.
Os personagens que trabalham na NSA são bem construídos, suas características condizem com seus atos, embora em alguns pontos o senso de humor de David, namorado de Susan, é um pouco forçado e até bobo para o seu personagem, um culto professor universitário, mas algo bem O.K.
Fortaleza Digital tem adrenalina suficiente para tornar a leitura muito rápida com suspense e descontração.

25 maio 2016

Bienal do Livro de Fortaleza



A Bienal do Livro de Fortaleza é o maior evento literário para os amantes da arte de ler e para as escolas, que usam o evento para incentivar a leitura em seus alunos. Já é de costume todos os anos de número par a expectativa para a divulgação das datas do evento, mas esse ano essa informação estava demorando demais para ser lançada ao público.

A ansiedade terá que aguardar um pouco mais do que os costumeiros dois anos de intervalo entre uma edição e outra do evento, pois diante da dificuldade dos livreiros de conseguir patrocínios devido ao ano de eleição, a Bienal será transferida para o comecinho do ano que vem. O evento será realizado no período entre 14 e 17 de abril de 2017, a decisão foi tomada na última quinta-feira, 19.

“Havia uma demanda muito grande por parte dos livreiros sobre a não realização da Bienal no ano eleitoral. São muitas limitações. Você tem dificuldades para conseguir patrocinadores e para usar as marcas”, explica Mileide (coordenadora da Comissão de Curadoria do evento e está envolvida na organização da Bienal desde 1998).



O mês de abril tem um significado todo importante, pois é o mês do aniversário de Monteiro Lobato, um dos grandes ícones da literatura nacional, que serviu de inspiração para a criação do Dia Nacional do Livro Infantil, 18 de abril. Lembrando que no mesmo mês comemora-se o Dia Mundial do Livro, 23 de abril.

Rua da Padaria, de Bruna Beber

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Imagem retirada do Skoob
“Rua da padaria” é nostalgia desde a capa, que lembra aquele papel em que o senhor da budega enrolava os ovos comprados a 10 por um real, relembra a infância em seus momentos mais simplórios e inesquecíveis. Quem nunca ficou com aquele chavão de um parente guardado na memória? A marca roxa que se forma depois de uma pancada e vai esverdeando ao longo dos dias, a toalha bordada com teu nome (um item indispensável na vida), pequenos detalhes que marcam.
Tolstoi já disse “se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, e foi isso que Bruna fez, pintou sua realidade, as nuanças da rua da padaria, o resultado? Um livro de poemas que te leva de volta para aquela bendita calçada onde você correu e gargalhou durante muitos anos da sua vida.
Esse livro é muito fininho, daqueles que a gente lê numa ida à livraria (ou biblioteca) e faz o dia valer a pena.

23 maio 2016

Ciranda de Pedra, de Ligia Fagundes Telles

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Lido em e-book
Lygia foi consagrada como contista da década de 40 e apenas dez anos depois (1954, para ser mais precisa) publicou seu primeiro romance, o Ciranda de Pedra, que já ganhou duas adaptações homônimas pela Rede Globo, uma em 1981 e outra em 2008. O sucesso na escrita de estórias curtas foi além, se estendeu para outros gêneros e resultou nessa incrível obra, clássico da Literatura Brasileira.

Considerando sua época de publicação, Ciranda de Pedra é um romance existencialista transgressor, que aborda temas pouco citados até então, como: homossexualismo, traições, doenças psicológicas, desestruturação familiar e questões femininas.

O livro é divido em duas partes, que marcam a infância e o amadurecimento de Virgínia. Quando criança, a protagonista vive situações difíceis de lidar, como a loucura da mãe, o perene sentimento de rejeição vindo do pai e o deslocamento social na presença das irmãs e dos amigos.

Após concluir os estudos, Virgínia volta para a casa do pai e tem que encarar de frente tudo aquilo que a afligia na infância. As coisas mudaram, mas a protagonista ainda guarda muitos sentimentos daquele tempo antigo, o que a surpreende em alguns momentos.

A trajetória de Virgínia é marcada por perdas e ressentimentos, mas sua força de vontade demostra a força de uma mulher para superar seus medos e vencer na vida sem depender de ninguém. Um exemplo muito claro disso é que as irmãs de Virgínia, Bruna e Otávia, são invejadas pela beleza quando crianças, mas são sustentadas pelo pai quando adultas mesmo depois de casada, enquanto que Virgínia, escarnecida por ser diferente e nunca se enquadrar em nada, é a única que se forma e que faz questão de ganhar seu próprio dinheiro (lembrem-se de que estamos falando da década de 50).

Poucas palavras poderiam definir Ciranda de Pedra, bem como todas elas talvez não conseguissem descrevê-lo por completo. A narrativa simples, cheia de lembranças e as emoções carregadas, nada é meio termo nesse romance, é calmaria ou fúria.